sábado, 12 de fevereiro de 2011

Uma Mente Inquieta

De facto…
Será que sou só eu?
Ou haverá por aí mais alguém cuja mente está inquieta?... Insatisfeita, intranquila, desassossegada,
Um sentimento difícil de descrever. Procurar uma resposta quando ainda não se sabe bem qual é a pergunta.
Eu chamo a tudo isto falta de paz de espírito. Neste momento sinto-me dentro de um casulo. sei que existe um mundo lá fora extraordinário, à espera de ser conhecido, mas não sei como sair. Não sei como rasgar esta barreira opaca, pela qual por breves momentos consigo ver, mas de seguida adensa-se novamente e estou outra vez a esgaravatar, à procura de mais um vislumbre.
                Segundo um livro que li há uns anos (A Profecia Celestina), estivemos – humanidade nestes dois últimos séculos, ocupados com o nosso bem-estar exterior e esquecemo-nos do nosso bem-estar interior. Evoluímos sem sombra de dúvida e velozmente ao nível das condições de vida. Mas de alguma forma não somos mais felizes, pelo menos parece-me a mim.
Há uma história fantástica que levanta a ponta do véu da resposta a este paradigma. “Num belo dia de sol ao final da tarde estava uma velhinha à frente da porta de casa, à procura dos seus óculos que tinha perdido. Entre tanto as pessoas ali perto aperceberam-se do que se passava e uma a uma abeiraram-se oferecendo ajuda. Entre tanto alguém pergunta à senhora – mas lembra-se mais ou menos onde perdeu os óculos? Perdi-os dentro de casa, mas como dentro de casa já está escuro e não consigo ver nada vim cá para fora procurá-los. Todos ficaram incrédulos. – Mas é o que todos vocês fazem! Todos perderam dentro de vós a capacidade de ser felizes, no entanto passam a vida à procura dessa felicidade no exterior.”
Acredito que a genuína paz de espírito só é encontrada dentro de nós próprios. A questão é que não sei como fazer essa procura. Não há livro de instruções, não há mapa, não há guia, como faço?

7 comentários:

  1. Consciência (conhecimento do eu)

    A maior parte das pessoas não tem noção daquilo em que acredita, dos diálogos interiores que estabelece consigo mesma ao longo dos dias, meses, anos e de como esses mesmos diálogos moldam o nosso caráter e a nossa forma de estar na vida.

    Quebrar o círculo vicioso.
    É quase impossível não sentir raiva num ou noutro momento da nossa vida e todos sucumbimos a preocupações com questões do dia –a –dia que são muitas vezes importantes e graves. A questão não se coloca em termos de nunca sentir isto ou aquilo. Coloca-se sim em termos de mantermos diálogos interiores negativos, que criam hábitos mentais pouco saudáveis e acabam por criar crenças e regras que assumimos como verdadeiras e pelas quais nos seguimos, mas que afinal, são apenas a nossa reação a determinados acontecimentos e a forma como os percecionamos. A falta de noção deste processo aprisiona-nos em padrões de comportamento dos quais temos muita dificuldade em sair.
    A tomada de consciência tem início através de um processo muito simples e que podemos por em prática em qualquer altura do nosso dia. Temos de aprender a observarmo-nos a nós próprios.
    O meu pai conduzia um carro que de já tão velho, à noite, a única luz que se via dentro do carro era oriunda do conta-quilómetros, que acabou também por avariar. Ou seja a determinada altura, quando circulávamos à noite naquele fantástico automóvel, numa estrada sem iluminação, não se via rigorosamente nada dentro do carro, era apenas possível ver a estrada à nossa frente, exatamente para onde apontavam os faróis. É, na minha opinião, exatamente assim que a nossa consciência funciona. O meu foco de atenção consciente está apenas direcionado para o que se encontra à minha frente. Mas a realidade é muito mais do que isso. Para começar existe realidade ao lado e atrás do veículo (que podemos agora chamar corpo), mas mais importante ainda existe a realidade no interior do veículo e essa realidade, que nos escapa inteiramente, é responsável pela forma como percecionamos o mundo a nossa volta e aquilo que nos acontece. Quando começamos a tomar consciência dessa realidade interior começamos a conhecer o nosso eu e é aí que as coisas começam a mudar radicalmente e de forma positiva.
    Exercício: temos de aprender a observarmo-nos. Em 1º lugar a observar a nossa respiração, observar a nossa postura corporal, observar como contraímos o maxilar ou os músculos do pescoço. Observar como caminhamos, como colocamos as mãos. Este 1º exercício vai começar a transformar-nos em testemunhas de nós mesmos – viramos o nosso foco “atencional” para o interior do “veículo”. Testemunhas sem julgamento que têm como objetivo conhecer como somos, a nossa postura, como observamos o mundo à nossa volta, os outros, como reagimos aos acontecimentos do dia-a-dia.

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  2. a publicação anterior tem por base um artigo da revista Zen Energy da autora Patrícia Roda Mendes

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  3. Aqui ficam algumas ideias soltas sobre o nosso bem-estar e equilíbrio emocional.


    As alturas mais difíceis para muitos de nós são as que proporcionamos a nós próprios. (Pema Chodron, 1997)


    Como é triste quando nos tornamos tão especialistas em fazer mal a nós próprios.
    (Pema Chodron, 1997)



    Bom, parece-me neste momento da minha vida evidente que a nossa felicidade, equilíbrio, bem estar emocional, estão intimamente ligados a forma como encaramos não só a nossa realidade do dia a dia, mas, mais ainda, a forma como encaramos o nosso eu e tudo o que se passa no seu interior.
    De alguma forma criamos a certa altura, ou em certas alturas, um pessimismo que nos paralisa, que nos leva a uma sensação de desmotivação, desencantamento, apatia, deixa de haver lucidez de raciocino …
    Mas é importante ou mesmo crucial que tenhamos consciência de que tudo isto tem como principal responsável, nós próprios, ou mais precisamente a nossa mente.
    Primeira questão:

    Relativizar
    Não, não tem nada a ver com Einstein, tem a ver com relativizar tudo o que se passa à nossa volta… temos guerras constantemente, temos gente que morre de fome, temos a poluição que não para de aumentar, temos gente que rouba e burla o dinheiro que tanto custa a ganhar, violações… e um sem fim de coisas más que acontecem por ai… se de facto nos preocupássemos com tudo de mau que acontece, rapidamente partiríamos deste mundo. Mas não é assim, acabamos por relativizar. Claro que (pelo menos quem tem coração) as pessoas se sentem mal com estes acontecimentos e sempre que pudermos fazer algo para melhorar o mundo devemos fazê-lo, mas temos, primeiro que tudo, de viver as nossas vidas e os nossos próprios problemas (não gosta desta palavra) ou as nossas próprias dificuldades. São muitas as vezes em que nos viramos para os problemas dos outros numa tentativa de escapar aos nossos, muitas das vezes porque como diz a gíria “os problemas dos outros são sempre mais simples que os nossos”, e se formos capazes de resolver os problemas dos outros sentimo-nos bem, mas na verdade os nossos mantêm-se lá. A questão é que devemos encarar os nossos problemas/dificuldades com sobriedade e compaixão, ou seja, primeiramente dar o real valor aos problemas/dificuldades e depois pensar: é apenas mais uma que a vida me oferece. Sim, mais uma dentro de muitas outras que já vieram e que virão.
    Aqui a grande questão é que a malta encara as dificuldades e obstáculos de forma muito negativa, e logo um pequeno muro se transforma numa muralha. Esquecemo-nos que a vida é uma escola que nos proporciona um crescimento constante, que nos permite sermos mais do que já somos (excelentes pessoas), e, as dificuldades são apenas mais uma lição, mais uma excelente ocasião para tentarmos ir mais além.
    Bom… com certeza muitas das pessoas que estão a ler isto neste momento estarão a dizer. Mais um poeta, um zen do táss bem má men. Mas são precisamente essas pessoas que encontram mais dificuldade em enfrentar os problemas, em digerir ódios, em encontrar paz de espírito e equilíbrio, em encontrar a alegria e felicidade.

    Sem dúvida a vida de uma mesma pessoa pode ser um martírio, uma cruz, ou, uma bênção, uma dádiva. Tudo depende de como a pessoa escolhe encarar a sua realidade interior e exterior.

    Telmo Gomes

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  4. Positivismo:

    Dentro da mesma linha da relatividade, vem o positivismo. Claro que se já formos uma pessoa que relativize as dificuldades da vida, facilmente seremos uma pessoa que encara a vida de forma positiva. Já ouvi dizer por ai que “pensar em coisas boas atrai coisas boas”, se pensarmos que vamos ser bem sucedidos, maior a probabilidade de o sermos, pensamentos positivos atrai energia positiva. Bom, talvez… numa coisa eu acredito. Se encaramos as dificuldades com positivismo, vamos á luta com muito maior força e determinação do que ao contrário. Ora vejamos. Exemplo clássico de futebol – vamos para uma partida e dizemos a nós mesmos: bem, vamos lá jogar mas o mais provável é a derrota. Hum… já estamos a imaginar a garra de um jogador que entra em campo com esta forma de pensar. Lá está, se ganhar foi uma agradável surpresa, se perder, bom já estava a contar com isso. Penso que a maioria das pessoas faz isto para se proteger do fracasso, mas, ao mesmo tempo não se apercebem de que estão a minar, logo à partida, a sua vontade no enfrentar das dificuldades. Muito diferente de – vamos jogar e vamos vencer. Temos de entrar sempre em campo para ganhar, caso contrário damos apenas 50% do que podíamos dar. Se perdermos, bom, temos a consciência de que demos tudo o que podíamos dar, e, ficamos ansiosos pelo próximo encontro. Se logo à partida encaramos um obstáculo com negativismo concerteza que teremos muito mais dificuldades para os ultrapassarmos. Bom, julgo evidente que nós devemos ser os nossos primeiros aliados e logo devemos encontrar formas de nos encorajar, dar forças, e não sermos os primeiros a cortar as próprias pernas.


    Telmo Gomes

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  5. Auto-imagem ou auto-estima

    Outra questão que trás grandes problemas às pessoas é o facto de olharem para si mesmos com uma grande dose de negativismo, ou seja, tendem a desvalorizar-se a si mesmos, autocriticando-se em excesso e auto-denegrindo a sua própria imagem perante si próprios. Bom isto leva a que se construam muitas vezes complexos de inferioridade, que nos dão a ideia completamente errada de que estamos a um nível inferior relativamente às pessoas que nos rodeiam. É extremamente necessário criar uma visão ajustada à realidade, ou seja, que não peque nem por excesso, nem por defeito. Para tal temos de nos consciencializar que todos, sem excepção, temos os nossos defeitos e dificuldades, e ao mesmo tempo, as nossas virtudes e qualidades. Uma pessoa equilibrada, com uma boa dose de humildade, rapidamente consegue olhar para si próprio e reconhecer os seus maiores defeitos e as suas maiores qualidades. Ao contrário uma pessoa emocionalmente desequilibrada consegue apenas ver ou só defeitos, ou só virtudes. Após termos real consciência do que realmente somos, é vital saber, ou pelo menos tentar, aproveitar da melhor forma as qualidades e tentar ultrapassar os defeitos e dificuldades (bom é para isso que estamos cá). Desta forma tornamo-nos aliados de nós próprios e não o principal e primeiro adversário. Igualmente importante é ter consciência de que como ser único e sem igual, somos, apenas por isso, muito especiais. Uns mais tímidos, uns mais extrovertidos, uns mais emocionais, uns mais práticos, uns mais magros, uns mais gordos, uns mais altos, uns mais baixos, mas todos com o direito… não, o dever de ser felizes da forma que são. Temos de ter a humildade, a maturidade e o bom senso de, primeiramente, nos aceitarmos como somos, e em segundo lugar, tentar e querer melhorar o que achamos que podemos melhorar. Este processo tem obrigatoriamente que ser interior, ou seja, tem de ser uma avaliação feita por nós próprios a nós próprios. É muitíssimo complicado quando nos regemos única e exclusivamente pelos outros para nos avaliarmos. Não digo que não sejamos capazes de ouvir os outros, isso é muito importante, mas, o primeiro a saber olhar para si próprio tem de ser exatamente o próprio. Não esquecendo que os elogios e as criticas (igualmente importantes) tecidos pelos que nos rodeiam, espelham muitas das vezes perspectivas, que, sozinhos teríamos dificuldades em observar. Estas criticas e elogios são sem dúvida importantes, importantes para olharmos para nós de outra perspectiva e muitas vezes (quando somos humildes o suficiente) para reajustarmos a forma como olhamos para nós mesmos.

    Telmo Gomes

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  6. O Corpo Feminino

    Por norma geral o corpo feminino é belo, delicado, luminoso, sensual e enfim, como dizia uma conhecida canção brasileira “é mais que um poema”.
    Mas vejamos como olhamos para um corpo feminino… bom, eu diria que 99% das vezes olhamos com lascívia, tal qual um cão a salivar quando olha um suculento naco de carne. Olhamos com uma vontade de o possuir na primeira oportunidade que apareça… ficamos de olhos em bico… Enfim, parece que olhamos com os olhos que temos, mas a informação passa directamente para o “cérebro” localizado um pouco mais abaixo.
    Este comportamento leva a que sejamos incapazes de olhar para as mulheres e aprecia-las verdadeiramente ao nível físico. Se o soubéssemos fazer não as trataríamos da forma que por vezes acontece.
    Antes de mais, sempre que fazemos amor com uma mulher devemos ter a noção de que esse acto é como entrar num templo. Deve ser como algo mágico vivido com total contemplação do momento e do ser belo e único que se funde connosco.
    Ao contrário o que geralmente acontece é que olhamos para as mulheres como um objecto, um objecto que vamos utilizar e do qual vamos retirar um imenso prazer.
    Eu já visionei muitos filmes pornográficos e estes espelham exactamente o que estou a dizer, ou seja, o homem com o total domínio sobre a actividade sexual da mulher e eis o que acontece: Elas são colocadas num papel de escravas sexuais, que gostam de ser tratadas dessa forma, que gostam de pancada durante o acto sexual, que gostam que as penetrem violentamente e freneticamente, que gostam de sexo anal (ainda não conheci nenhuma mulher que disse-se gosto de apanhar no rabo), que gostam de ser penetradas por vários homens ao mesmo tempo, que gostam de sémen espalhado pelo corpo e pelo rosto… enfim e um sem número de mais atrocidades que continuam a colocar a mulher no seu papel de escrava de sempre.

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  7. Na minha humilde opinião acho que está na altura de percebermos, eles e elas, que a mulher, exactamente por ser um ser belo e delicado e que dá origem à vida, deve ser tratada com todo o cuidado, todo o carinho, todo o respeito.
    Se repararmos em toda a natureza é assim que acontece.
    Muitas das vezes nós homens ficamos frustrados porque queremos fazer sexo com a nossa mulher e esta não está com essa vontade. Bom mas em toda a natureza é assim que acontece. O macho nunca assedia uma fêmea sem que esta esteja afim, ou seja, com o cio, e quando ela está pronta ele aguarda pacientemente, sem querer forçar nada, mas sim tentando cativar a fêmea, contemplando-a, acariciando-a, rondando-a…
    Ela é que sabe quando quer sexo, e nós devemos respeitar isso. Ela é que vai carregar as crias, ela é que as vai alimentar, ela é que as vai trazer ao mundo, elas merecem todo o nosso respeito. Mas como egoístas que geralmente somos pensamos primeiro que tudo no nosso próprio prazer, que, nos está a ser negado quando queremos, tal qual crianças mimadas que querem o doce já e agora se não fazem birra.
    Quando soubermos olhar a realidade sexual quotidiana desta forma, saberemos encara-la de uma forma muito mais positiva e muito mais bonita. Claro… também é bem verdade que temos de ter alguma paciência, mas em tudo é assim. No sexo também será. Nós homens como sempre tivemos o domínio total agora temos dificuldade em crescer e perceber o nosso lugar. As nossas mulheres são lindas, belas, luminosas, são ou serão as futuras mães dos nossos filhos, merecem que nós sejamos compreensivos e contemplativos.

    Telmo Gomes

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